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CONSTRUTÓRIO

Três operários ficam impedidos de saírem da obra em que trabalham, ao final do cansativo expediente, por conta de uma tempestade que não os deixa voltarem para as suas casas. “Presos” que estão, no entanto, libertam a fantasia para criar as mais incríveis aventuras: transformam ferramentas, e demais objetos da obra, em instrumentos de suas viagens pela imaginação. Assim recontam, com muita criatividade, alguns contos de fadas, parodiam, com bom humor, filmes clássicos, criam e interagem com bichos e criaturas formadas pelas mais inusitadas coisas. Revelam-se, por fim, operários de uma obra muito especial. São, sobretudo, poetas, construtores de sonhos...

 

O TEATRO DE OBJETOS DA CIA TRUKS - A ALFABETIZAÇÃO PARA A POESIA

Nesta peça utilizamos a técnica de teatro conhecida por “Teatro de Objetos”, ou então, como também gostamos de chamar, à maneira da Cia Truks, de “Teatro Com Objetos”. Aqui, mudamos o uso cotidiano do objeto para construir nossas criaturas, ou simbolizar personagens. Uma colher de pau se transforma em uma cozinheira, um algodão pode ser um pintinho, ou, então, construímos uma simpática vaquinha com canecas e um cantil. Em Construtório transformamos um alicate em um papagaio, um par de serrotes em um feroz jacaré, uma mangueira em uma cobra, entre tantos outros exemplos.

O procedimento tem clara e direta relação com o que o educador JEAN PIAGET definiu como “jogo simbólico”. É uma forma de comparação que as crianças encontram para entenderem o mundo ao seu redor, bem como fortalecerem a sua individualidade. A criança, pela pouca experiência de vida, não tem repertórios para fazer comparações e ou entendimentos racionais, elaborados, de certos assuntos. Então, para isso, elas usam do artifício do jogo simbólico: brincam de ser como o papai, para entenderem, na prática, que são necessárias regras de convívio; brincam de boneca para experimentarem ser como a mamãe; empenham uma espada para sentirem-se fortes como os príncipes e os heróis, conversam com bichinhos imaginários, são capazes de enxergar vida onde não há vida. Passam a conhecer a si mesmas e, a partir daí, terão subsídios também para começar o processo de identificação do outro - prática fundamental para o convívio em sociedade.


O Teatro de Objetos promove, ainda, uma rica experiência poética que, em nossas pesquisas, denominamos pelo termo “A ALFABETIZAÇÃO PARA A POESIA”. Para a construção de uma metáfora, na literatura, juntam-se duas palavras para se criar um terceiro significado, que não é a simples combinação delas. Lábio de mel não é um lábio feito de mel, mas sim a alusão a uma boca ou uma mulher bonita, enfim, uma expressão que pode ter o significado que o leitor escolher. O Teatro de Objetos pode operar na mesma lógica. Em ZÔO-ILÓGICO, outro espetáculo da Cia Truks, pai e filho encontram as portas do parque fechadas quando lá vão fazer um piquenique. Para “não perderem a viagem”, resolvem criar os bichos a partir dos objetos de sua cesta. Assim, uma colher e uma saladeira dão origem a uma tartaruga, entre outras dezenas de bichos. Isto nada mais é senão poesia visual, ou ainda, podemos dizer, METÁFORA VISUAL. Juntam-se os elementos A e B (colher e saladeira), para se criar C (tartaruga), completamente diferente de A ou B. Isto é o que chamamos de “uma bomba de criatividade” a ser detonada dentro do cérebro do espectador.

 

No processo de alfabetização, crianças pequenas aprendem, em um primeiro momento, que o desenho de uma casa, que nada mais é senão a representação gráfica de uma casa, pode simbolizar uma casa verdadeira. Daí a entenderem que a letra “A” será a “representante” do som “A” será um passo natural. Por isso ousamos chamar nosso processo pelo nome de “alfabetização”. Ao aceitar um grampeador de papéis como representante de um jacaré, o espectador, na idade em que for, estará se iniciando na linguagem da metáfora visual. Assim como o poeta “refuncionaliza”, ou resignifica palavras, nós refuncionalizamos objetos. Este recurso é amplamente explorado no Teatro de Objetos. Um maço de cigarros pode representar um bandido, assim como um par de óculos pode vir a ser alguém a enxergar o que mais ninguém pode ver. Quando apresentado no teatro, o jogo pode ser riquíssimo, e encontrar relação direta e muito prazerosa com os pequenos. Não somente, é capaz de surpreender os adultos, justamente pela sua ampla possibilidade criativa. O exercício de associação da imagem com aquilo que ela representa, enfim, é um rico mergulho na poesia.

 

O TEATRO ENQUANTO INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS

Em CONSTRUTÓRIO trazemos para a cena três figuras, aparentemente, rudes. Homens “comuns”, pedreiros de uma obra qualquer. No entanto, tratamos de elevá-los à condição de poetas, verdadeiros construtores de sonhos, em um esforço, também, que nos faz igualar a todos os seres humanos em uma justa escala de valores, em que somos todos iguais, em que pedreiros são sim poetas, como todos nós podemos ser...

Os nossos três personagens são capazes de criar um mundo paralelo, em que coisas ganham vida e se transformam em nossos companheiros de aventura. Digamos que não seria esta uma atitude “normal”. Não seria comum ver um pedreiro, em uma obra, a brincar que o seu serrote é na verdade um jacaré, que o seu capacete marrom pode ser o lobo mau. Ou ainda, que uma máscara de solda possa ser transformada no capacete do terrível Darth Vader, de Guerra nas Estrelas. Isso seria entendido como “coisa de gente louca”. MAS NÃO! Em nosso espetáculo, eles são seres humanos dos mais especiais, repetimos, poetas, capazes de brincar como crianças, experimentar uma pura e gostosa ingenuidade. Sonhar e, assim, nos oferecer a possibilidade de reflexão sobre outras formas de viver e outros valores para o viver. Revelam que o jogo da vida pode ser muito divertido se pudermos não ser tão sérios, se pudermos ter mais tempo para brincar, estarmos mais com nossos filhos, sermos menos violentos, se pudermos, enfim, transformar, de forma leve e divertida, o que está ao nosso redor. Parafraseando o célebre Sermão da Montanha, diríamos “Bem-aventurados os loucos de boa cabeça, porque será deles o reino dos céus”...

Fazemos espetáculos para pais e filhos. Este é mais um destes trabalhos. Convidamos, assim, os pais a estarem mais inteiros com seus filhos, e brincarem com eles. Na medida em que transformamos ferramentas nas mais divertidas criaturas, convidamos os pais a fazerem o mesmo com seus filhos, em sua convivência diária. Isto estreitará ainda mais os seus laços. Uma criança, costumamos dizer, jamais esquece uma brincadeira especial. Acreditamos que este momento de encontro, e carinho, quem sabe estimulado pela obra teatral assistida, pode ser um forte e poderoso instrumento para a criação de um mundo mais amoroso, ou, ao menos, um tanto menos sisudo... Um mundo mais divertido e mais gostoso para se viver...

Imprensa comenta

"‘Construtório’, do autor e diretor Henrique Sitchin, é um desfile eufórico de criatividade, levando a plateia ao delírio...A história é a de três operários que querem voltar para casa, no fim do expediente, mas a chuva lá fora cai violentamente, impedindo-os de sair do trabalho. Portanto, passam a noite ali, brincando com os mesmos objetos com que lidaram o dia inteiro. Alicates, brocas, mangueiras, canos, sacos plásticos, torneiras e muitas ferramentas viram peixinhos, papagaios, cobras e tantas outras invencionices lúdicas... Logo a plateia entra em êxtase com tanta criatividade brotando de objetos triviais. Adultos embarcam nessa viagem tanto quanto as crianças. Observei que desta vez a direção de Henrique Sitchin optou por iniciar o espetáculo já no ápice de euforia e alto astral – e isso se mantém durante toda a duração da peça, de tirar o fôlego. A plateia fica ligada e acesa desde o primeiro minuto – e, o que é raro no teatro infantil, surgem muitas palmas em várias cenas abertas, comprovando a excitação do público diante de tantos estímulos propostos pela Truks. É ver para crer. Não fique de fora dessa alegria. De quebra, como sempre costuma acontecer nas peças dessa companhia, o final traz surpresas e uma dose extra de criatividade e encantamento."

DIB CARNEIRO NETO - REVISTA CRESCER - 01/06/2006

“A hora mais esperada por muitos trabalhadores é o fim do expediente. Numa obra, três operários respiram aliviados por poderem ir para casa, mas um dilúvio cai assim que eles põem os pés na rua. Impedido de enfrentá-lo o trio solta a imaginação e faz o tempo passar com brincadeiras e histórias que levam os pequenos às gargalhadas. Em um dos pontos altos as crianças tentam adivinhar o que os três estão criando com material de banheiro. Tubos, conexões e até assentos sanitários dão vida a astronautas, elefantes e borboletas. A peça incentiva a fantasia até o último minuto, quando as garotada é convidada a continuar a brincadeira em casa.”

MARIANA OLIVEIRA – REVISTA VEJA SP - 01/06/2006

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Ficha Técnica do Espetáculo

Texto e direção:
HENRIQUE SITCHIN

Produção Executiva:
DEBORAH CORREIA

Elenco:
RAFAEL SENATORE, GABRIEL SITCHIN e
ROGÉRIO UCHOAS

Criação e Confecção de Cenografia
e Formas Animadas:
DALMIR ROGÉRIO PEREIRA,
JOSÉ VALDIR ALBUQUERQUE e
HENRIQUE SITCHIN

Trilha Sonora:
RAFAEL SENATORE, IONE DIAS DE AGUIAR e CHICO MUNIZ

Iluminação:
HENRIQUE SITCHIN